Mestre da cor, do desenho, da gravura, mestre dos mestres - nascido as margens do Reno, junto a um velho moinho onde seu pai triturava trigo para que o avô assasse o pão, pertence a essência esquecida da Europa, que procurava a profundidade da realidade, pois buscava no próprio e inalienável mistério – quase sempre alienado – que sempre novo, e que retorna no escuro os múltiplos avatares de uma vida. -
Rembrandt, vive nos mais honrados cantos dos museus do mundo. É mestre também dos que sentem como vocação a arte sobre qualquer outra atividade. Desses cantos de sombra e honra, em seus mais de 60 auto retratos, os olhos singularíssimos do artista de luz íntima que emerge na névoa exterior, recordam quem os contempla a profundidade e a grandeza latente na palavra que resume e enuncia tudo que podemos ser.
Auto-retrato de Rembrandt em 3 momentos -1629/1640/1669.
Rembrandt aos 7 anos, foi enviado a escola de Latim, junto aos clássicos – Aristóteles e Homero, que aparecerão em suas obras. Aprendeu a familiarizar-se com a bíblia, um dos escassos livros de sua biblioteca.
Em 1620 ingressou na Universidade, porém, meses depois reconhece que não desvia sua paixão fundamental e entra no atelier de um modesto pintor local, entre escassos méritos conta o de ter estudado na itália. Talvez por isso Rembrandt nunca tenha tido o desejo de viajar a pátria de Leonardo.Retrato do filho – Titus -
Após completar 3 anos de estudo, segue para Amsterdam para sua instrução no atelier de “ Pieter Lastman” – especialista nos temas históricos e cenas bíblicas.
Lá com seus 19 anos, depois de apenas 6 meses com Lastman, voltou a sua terra natal LEIDEN- (Cidade próspera e culta, onde desfilavam as embarcações carregadas de coloridos tecidos, elaborados na indústria local e de objetos exóticos vindos do oriente)como mestre independente, associado a Jan Lievens, já mestre pintor desde seus 12 anos.
- A maior parte de seus trabalhos constitui-se de pinturas pequenas e com acabamento preciso sobre temas bíblicos e históricos, onde era
notado de influência do seu segundo professor. Rosalba Peale
Quando partiu pra carreira solo, passou a utilizar o efeito luz e sombra melhor do que ninguém; e este modo de pintar, tornou-se o seu principal meio de expressão. Obteve grande sucesso local, e começou a ensinar, e por possuir forte personalidade, atraía bastante estudantes.
- De sua paleta surgiu uma arte cheia de dourados, como é a apresentação no tempo, onde aparece surgir dos corpos. E a lâmina de cobre batido nos deixou seu manifesto artístico e vital: um auto-retrato onde aparece o cabelo despenteado , aspecto desajeitado, nariz gordo e um olhar fixo para uma meta da qual nada, nem ninguém poderão afasta-lo.
Artista de tanta profundidade e de dilatado espaço interior. O rosto no nosso pintar, é drama, trajetória, passo singular da vida total, janela aberta ao mistério inexpressável.
Retrato de Saskia - Rembrandt além de tudo era um homem dedicado ao seu grande amor – Saskia – onde retratou várias vezes em suas telas, até mesmo nos momentos mais difíceis de sua vida, onde desenhou repetidas ocasiões no leito da doença e do sofrimento:
- Teve 3 filhos que morreram poucos anos depois de nascidos.Somente 1 sobreviveu – “Títus” -
Quando pintou a “ Lição de Anatomia “ – retrato de um grupo da sociedade de cirurgiões de Amsterdam, obteve a reputação de melhor retratista da época nesta cidade, Tornou-se rico e gostava de colecionar obras de arte.
- A Lição de Anatomia – 1632 - Mas a sorte mudou quando Saskia morreu… perdido, as finanças entraram em colapso. Neste mesmo período sua arte ganhou em profundidade espiritual, a luz maravilhosa parecia vir do interior das suas obras. As sombras tornaram-se mais intensas e vibrantes. Suas pinturas passaram a mostrar calma e ternura, e a humanidade se achava representada pelo lado reflexivo.
Com o passar do tempo, casa-se novamente e tem mais uma filha – “Cornélia”, e com a morte da segunda mulher e do filho “Titus” que morre pouco depois de ter casado, e deixado uma filha., – Rembrandt, asume a solidão, e Cornélia o acompanha até os últimos dias de sua vida.
Rembrandt foi e será um pintor especialmente lembrado como “Retratista” – dotado de uma enorme sensibilidade, dando a seus modelos dignidade e ao mesmo tempo não permanecia passivo diante de cada obra, mas muito presente em suas interpretações!