quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Arte Naif, pintura simples e pura - Henry Rousseau -1844/1910-França



Caminhos trilhados muitas vezes sem entender, vagar por terras, povos, entre pessoas diversas. Uma criança que não tinha nada de concreto e depois adolescente uma fase difícil, onde a mente indaga e não encontra respostas... indeciso tem que se desfazer de tudo a todo momento, se transformando num andarilho, a procura da sua verdadeira identidade...quem sou eu? Pergunta que nos assombra a todo o momento em nosso mundo interior... que nos faz refletir sobre nossos atos, escolhas, naquilo no qual nos transformamos.
Entre o sol e a chuva por detrás da janela, estou eu, olhando não para fora, mas estou longe, dentro de uma história real, acontecida entre 1844 à 1910 – França, onde por um tempo fiz parte da vida de Henry Rousseau...que aos 19 anos em 1863 cometeu vários pequenos atos delituosos próprios da malandragem itinerante, ingressando no exército que “talvez” tenha lhe dado uma visão do certo e o errado.

Conforme a lenda que ele mesmo encarregou-se de fomentar, fez parte como saxofonista da banda de um regimento militar destinado no México. No entanto, fontes mais seguras mostram que foram frutos de sua fantasia, nutrida isso sim, pelas recordações dos soldados amigos que tinham regressado daquele exótico país.
Rousseau possuía uma carência que lhe fazia companhia, não só pela vida e o modo como ela se apresentou, como as perdas, do pai, dos filhos e da esposa, que lhe causaram solidão, angústia e saudade... talvez assim buscasse criar um mundo diferente do qual ele já conhecia.
Depois da guerra Rousseau arranjou emprego como aduaneiro de 2ª categoria, e esse lhe consumiam 70 horas semanais e passa ser entediante ócio o qual começa a preencher com sua afeição ao desenho. Assim pouco a pouco, Rousseau descobre a sua vocação pela cor e pela pintura.



Em 1884 obtém um passe de copista para poder entrar no Louvre e dois anos depois rejeitado pelo salão, expõe no dos independentes. Neste mesmo ano decide abandonar o seu emprego com uma modesta pensão, a fim de poder dedicar-se a sua vocação.
Aos 42 anos Rousseau, pinta limitando-se ao seu próprio estilo, refletindo as paisagens que a sua fantasia lhe mostrava, procurando seus modelos no jardim de plantas.
Em 1892, por ocasião de uma mostra pictórica, seu auto-retrato arrancou de Gauguin estas palavras:

_ “Isto é pintura, a única coisa que nesta exposição pode ser chamada pintura!”.
Pintor autodidata, que apesar disso, não retrocede no seu desempenho, compartilha seu amor a pintura com quem acaba de chamar a sua porta: Casa-se com a viúva Josephine Noury, mas ao fim de 4 anos estava viúvo outra vez.
Consegue um título de professor de desenho e começa a dar aulas particulares, as quais lhe permitem pagar as dívidas contraídas com seu fornecedor de telas, que o havia denunciado como caloteiro.

Em 1907, talvez em recordação de uma marginalidade de adolescência se vê implicado em um roubo ao banco da França, pelo qual é julgado e condenado a 2 anos de prisão menor; mas Picasso colocou seus olhos nele: comprou um de seus quadros, que levava constantemente consigo. Em 1908 organiza em sua homenagem um jantar ao qual comparecem entre outros: Braque e Apollinaire. Este lhe encomendou o retrato de sua amante _ Marie Laurencin: _ Rousseau pinta um quadro imenso, totalmente ocupado pela retratada. Quando esta irritada, joga-o na cara do pintor! Ele respondeu com toda a candura deste mundo:
_ " Um grande poeta, necessita de uma grande musa!"

Apoiado por nomes tão célebres, Rousseau teria podido desdobrar-se nas glórias da nova e incipiente fama; mas não foi assim.
Um terceiro amor não correspondido tirou-lhe a vontade de seguir adiante. Cansado de lutar e criar ilusões, esse artista considerado o 1° e mais famoso pintor naif, desistiu de interpretar seu papel, desceu do palco, e se recolheu ao fracasso.
Morreu em 02/12/1910 em um hospital de Paris. Só 7 pessoas compareceram ao seu enterro. A cova comum acolheu os seus restos mortais. Dois anos depois, mãos piedosas os levaram a uma sepultura individual, na qual Apollinaire gravou uns versos ao artista independente, socialista e sem outro Deus que frondosa natureza, entre infantil e paradisíaca.


Agora eu consigo ver através da minha janela suas pinturas em cores vivas. Imagens desproporcionais e algumas vezes irreais, de forma simples e pura.


Oi turma! Bem vindos ao blog Wallarte!Não nos vemos desde o ano passado, há, há, há...
Uau! Que história empolgante deste artista! Agora fala sério: a arte NAIF está ligada ao genuíno, então podemos dizer que a arte Naif é ser autêntico? – Hum... que tal quebrarmos um pouco a cabeça?

Voltarei em breve...xaaaaaaaaaaaaau!!!

24 comentários:

angela disse...

Que aula!
beijo

kurkineva disse...

Ultimamente tenho estudado muito história e estou afim de aprender mais e mais sobre história da arte.
Você me inspira! Obrigado.
Bjos.

nereida disse...

Wall, gostei imensamente do post! E as pinturas... lindas! Tão delicadas. Tão... sinceras!

Andradarte disse...

Não sou de aprofundar a vida dos
artistas, pois sou simplesmente
artesão.No entanto ,procuro aprender
e aprendi aqui bastante.
Um abraço

Dulce disse...

Waléria

Como sempre uma aula preciosa.
Beijos / saudades

ArtByJoão disse...

Antes do mais... Bom Ano Novo! E retribuo os votos de criações de sucesso!

Este seu artigo sobre a arte naïf fez-me recordar algumas histórias do meu passado... Uma delas acabou por ir parar a um artigo no Art&Energy...

Acho que há ainda muito a dizer sobre arte e sobre Arte Naïf.

Até breve!

Valter disse...

Olá Waléria, estou aqui prestigiando seu espaço maravilhoso e agradecendo sua visita em meu Blog, gostaria de ter conhecimento sobre artes para poder opinar sobre o assunto, mas só posso apreciar seu trabalho, parabéns pelas postagens. Abraços Valter.

Aline Rodrigues disse...

Oi Wal, obrigada pela visita. Adorei o post, as pinturas são lindas e a matéria uma verdadeira aula de arte!
Agora em relação a tatoo é tudo verdade, ele não me deixa fazer outra e eu quero muito ter mais uma.
Bjos

Luma D. disse...


Oi, Waléria.
Hoje que conheci a Walzinha. Achei linda, delicada... E adorei o panda que a acompanha em alguns desenhos.

Beijos, ótima semana.

Ballet Coppélia do Brasil disse...

Que história triste, mas ao mesmo tempo cheia de coragem e impetuosidade.Não conhecíamos tão a fundo a jornada desse ilustre pintor! Parabéns por mais uma feliz postagem! Que possamos continuar nossa amizade, todos juntos contribuindo com a arte para abrilhantarmos mais esse planeta ainda marcado por tristes acontecimentos...
Ficamos muito felizes com sua visita ao Blog do Ballet Coppélia do Brasil!
Forte abraço e um 2010 brilhante em todos os sentidos!
Equipe do Ballet Coppélia do Brasil

DIABINHOSFORA disse...

Muito se aprende por aqui, adoro isso!
Parabéns pela forma como nos cativas para estas tuas lições.
É bom que a cultura nos chegue com prazer.

Beijinhos

Novembro_ disse...

Aprendendo e ensinando diria isto!
Linda a pintura.

Jackeline Depp disse...

Passei aqui pra deixar um abraço e convidar você e seus seguidores a virem no JDM ler uma nova postagem, muito interessante sobre animais...E se puderem deixar um comentário... hehehe agradeço muito!!!
Um grande abraço recheado de luz e paz!!!
Jackeline-Curitiba-Paraná
http://johnnydeppmadness.blogspot.com/

Canteiro Pessoal disse...

Valéria. Olá! Não ando escrevendo aqui com frequência, mas cá como estou de férias ainda, venho saborear seu post com qualidade. É fantástico o que li, história fascinante que ensina, mostrando a vida íntima de alguém. Talentoso, mas desgostoso na vida sentimental, e que transmite ser um sujeito de sentimento profundo [emoção], pintar é uma fuga como uma libertação, um escape em meio a tanta adversidade. Quantos de nós não fazemos isso não é? E digo, são momentos assim, que o melhor nasce e renasce, alcança territórios que nosso pensamento nem chegou no pensar, pois o ser genuíno e autêntico era o que se estava em mente, sem se preocupar com os lobos que ficam à espreita para o devoramento. Realmente, " Um grande poeta, necessita de uma grande musa!" como uma grande poetisa, necessita de um grande muso.
Olha, amei a Valzinha e confesso que gostaria de uma bonequinha minha. Uma historinha, seria demais! Penso: Como seria minha bonequinha?

Abraços e fica na paz!

Priscila Cáliga

Irene Moreira disse...

Wall amiga que história de vida... quanto sofrimento mas também quanto dom que não foi comprendido.
Quantos amores que se foram e ficou a solidão. Fora isso amiga que aula que sempre nos dá e mais uma aprendizado sobre a arte NAIF - genuino - e o mais fascinante é o final com a presença da adorável Walzinha.
Desculpe a demora em vir te visitar, mas ando um pouco corrida e estudando mais do que nunca. Obrigado pelas palavras carinhosas que sempre deixas na Vitrine de Sonhos e na M@myrene. Já estava preocupada com a falta de postagens suas e já tinha visto a semana passada que havia novidade e tinha que vir com tempo disponível para apreciar tudo com calma.
Maravilhosa a pintura que está no banner... adorei.

Beijos, uma boa semana e aguardo ansiosa a volta da Walzinha.

Diogo disse...

Olá Waal
Bela história de um tremendo artista.Como todos os grandes artistas, incompreendidos no seu tempo, têm historias de uma vida quase sempre sofrida e maldita.
Bela pintura e bela aula.
Obrigado pelas amáveis palavras.
Volte sempre e um beijão grande desta lado do atlântico.
Diogo

Noemia Travassos disse...

"....Cansado de lutar e criar ilusões, esse artista considerado o 1° e mais famoso pintor naif, desistiu de interpretar seu papel, desceu do palco, e se recolheu ao fracasso"

Adorei a forma como retratou este artista Amiga Wall, sobretudo nesta parte final na qual todos podemos intuir de como o desânimo é um monstro terrível.
A "Galeria Aberta" está um Must.
Um abração de luz e como a Arte é razão de vida, um super ano artístico para a Wall.

Donagata disse...

Já por aqui tenho andado sem contudo ter o saber de deixar comentários consentâneos com a qualidade do que leio...

Este, porque foi o último que li e porque me trouxe uma série de informações que desconhecia em absoluto, quebrou-me a inércia e eis que aqui vou deixar umas palavrinhas.

Como sempre, é uma lufada de ar fresco viajar pelo seu blogue. É lindo, de grande interesse didáctico e cultural, onde o conhecimento é transmitido através de textos correctos (em termos do conhecimento que pretende transmitir)ao mesmo tempo que escritos numa linguagem simples e bela. São um hino à arte.

Só mesmo a minha palermice me fez estar ausente por tanto tempo.

Foi bom regressar. Um beijão.

Graciela Acebal disse...

Me lleva un poquito de tiempo leer estas atrapantes historias de vida sin usar el traductor de google -sabes que prefiero leer y entender por mi misma- pero al final es tan gratificante!! Es tu manera de contarlas tambien, Wal, el condimento que le pones. Como leer un cuento...
Rousseau, sin duda el maestro del Naif. Ingenuo, puro, simple, infantil o lo que sea, pero muy lindo!! A mi me gusta.
Abrazos y besos amiga querida!!

JRonson disse...

Meu Deus fiquei mais q impressionado com a sua intrprtaçao do quadro de Velasquez, realmente está unico adorei :O

E agradeço imenso pelos comentarios n meu blog, criei meu blog mesmo para isso d modo a q s possa trocar ideias e tudo mais :D
Ainda bem que achas que tenho uma assinatura de "marca", mas eu tenho medo que a assinatura de marca se confunda com o eu fazer os trabalhos todos iguais, é isso q tenho medo ;)

Adorei seu blog está mais q completo e pelos vistos nao sou o unico q acho isso :D

kumpulan informasi maya disse...

Hello My name salaman this very nice post... I like this your post,,, when your visite my blog from Indonesia ..? hehe

JCesar disse...

Wall...Uau!!!...gostei...e a frase melhor...'um grande poeta precisa de uma grande musa'.
A arte é fantástica. Fascinante. A aula valeu pelo mês.
um excelente 2010 para ti. Obrigado pela visita e comentários em meus blogs.
Bjim
J.Cesar

PS: não esqueci (dos selinho em um desenho) que prometi a ti. As férias me consumiram!...rs. Farei-o.

wallper.lima disse...

Realmente a vida de Henri Rousseau, é fascinante a ponto de nos levarmos a questionar a nossa própria vida! Creio que sua arte é perfeita quando podemos dizer genuína, onde ele trabalhava mto bem o cotidiano, e do jeitinho que ele via.
Agradeço a todos, pelas palavras, e fico muito feliz de poder chegar a conclusão que tudo que eu quis passar chegou ao coração de todos, e de certa forma causar questionamento.
Fico feliz de ver Donagata de volta ao meu espaço e quando diz:
- "texto escrito com uma linguagem simples e bela - um hino a ARTE"...
Obrigada por tdo.
Fico feliz também quando vejo Graciela lendo minhas postagens sem tradutor, pois concordo com ela que é mais gratificante, e com isso já está arranhando no portugues...kkkkkk.
E meu recado para o Jronson,é que aquilo que vc define como marca, eu digo que é estilo, e garanto a vc, que isso só vem a somar em nosso trabalho... quando pinto meus quadros, os temas são vários, e cada um é diferente do outro, mas a minha pincelada, a minha assinatura, esta ali...podemos falar de Salvador Dali, e suas obras, e te pergunto: vc acha sua pinturas são todas iguais?- Não!!! Mas basta olhar, e eu sei que é dele, aliás reconheço muitos artistas só de ver a pintura, e muitas delas super diferentes...
Para mim ter estilo, é ter identidade, não esqueça disso.
Obrigada pelo elogio nas "Meninas de Velasquez...adorei!!!Esse trabalho ficou realmente 10. Continue a caminhada, pois vc tem talento.
Bjos a todos.
Waleria Lima.

Wilson Relojoeiro disse...

Visitei seu blog e achei muito interessante, e estou te seguindo no meu blog. Faço restauração de relógios antigos e de Igreja, o que eu considero também uma arte.
Gostaria que você divulgasse meu blog.
Abraços,
Wilson Relojoeiro

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