domingo, 20 de dezembro de 2009

Sonhos e Revelações!


Tudo começou através de um sonho!


Eu me vi num lugar que havia muitas portas e minha curiosidade não permitiu que eu ficasse ali parada, somente olhando. Fiz “uni-duni-tê” e escolhi uma das portas e abri...e como num conto de fadas, um vento forte bateu em meu rosto delicado, e me puxou pra dentro...e mais que de repente me vi muito assustada, com medo, devo admitir: voando no espaço onde meu corpo ia virando cambalhotas sem fim, e assim fui sendo levada não sei pra onde. Eu gritava, gritava, mas parecia que ninguém me ouvia, até porque esse mundo não era dessa dimensão.

Até que de repente levei um susto quando nesse vai e vem me deparei com um ser estranho, de orelhas compridas, que hoje chamo de “mascote”(que mostrarei algum dia “talvez”), quando finalmente me vi dentro de um atelier, muito bagunçado, mas como os artistas são “loucos”...rsrsrs...não sei aonde escutei isso, mas não vem ao caso.
As paredes estavam cheias de quadros, e quando me deparei diante de um deles parecia uma pintura de “Monet”, mas quando fui tocá-lo, percebi que a tinta ainda estava molhada, e fiquei pensando: _ que coisa estranha!! Quando do nada apareceu em minha frente um homem bem exótico e que se dizia pintor, só me lembro que ele me disse:
- a beleza está dentro de você! E eu nunca mais esqueci!
Quando acordei tive a impressão que aquilo não era um sonho, mas a minha realidade!!!

Como já havia prometido algumas novidades no Wallarte, apresento a personagem Walzinha(que sou eu mesma) que acabou de ser criada através desta minha postagem onde o sonho e realidade se confundem e nos mostram que nada acontece por acaso.
Aparecerei de vez em quando com perguntas, dando opiniões ou quem sabe novas estórias... me aguardem!!!

Espero que o Natal de todos seja abençoado, onde a paz e o amor estejam presentes, e que o ano de 2010 seja pintado com muita harmonia!
Até lá...


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

TATUAGEM COMO SINÔNIMO DE CORAGEM

Dizem que os homens da história se orgulhavam das cicatrizes propositais, pois eram sinônimos de coragem. Estudos mostram que essa prática sempre esteve ligada a história da evolução do homem.
O desenho vai se formando na pele delicada, sendo marcada com pigmentos, é tecnicamente uma aplicação subcutânea, realizada com agulhas.
Substituímos a tela e feito índios, enfeitamos nosso corpo.


Foi a partir das viagens do capitão inglês “James Cook”(também descobridor do surf)no sec.XVIII que a tatuagem ou dermopigmentação, ( “dermo =pele - pigmentação” – ato de pigmentar ou colorir), ganhou tradição inglesa na palavra TATOO(uma das formas de modificação do corpo mais conhecida do mundo), onde passou a ser reconhecido como “o pai da palavra –tatoo”.
A tatoo percorreu vários caminhos tortuosos, gerada com muitos preconceitos, associada à idéia de tatuagem como elemento de exotismo
“selvagem”, e a idéia da tatuagem como elemento de marginalidade.

A igreja católica na Idade Média baniu a tatoo da Europa, com argumento que era coisa do “demônio”, assim procedendo com a intenção de ocultar antigas culturas e costumes, introduzindo a sua doutrina de uma forma ditatorial.
Na Inglaterra, o governo adotou a tatuagem como uma forma de identificação de criminosos, e a partir daí ganhou conotação “fora da lei”, no ocidente.
No Brasil no início do sec.XX, no Rio de Janeiro, havia basicamente 3 grupos de tatuados: os imigrantes portugueses, as prostitutas, e os marginais, todos englobados num heterogêneo grupo social chamado de
“classe baixa”. Nela, a tatuagem era feita com agulhas de costura e fuligem ou ainda tinta, anil, graxa ou pólvora.

A tatoo elétrica foi desenvolvida em 1891 por “ Samuel O’Reilly". Um aparelho baseado em outro extremamente parecido, que havia sido criado e patenteado por “Thomas Edson” – para “ marcar couro”.
Somente nos meados dos anos 60, ele surgiu na cidade portuária de Santos – São Paulo, introduzida pelo dinamarquês “Knud Harld Likke Gregersen” – conhecido como
– “Lucky Tatoo – que teve sua loja nas proximidades do cais, onde na época era zona de boemia e prostituição da cidade de Santos.
Isto contribuiu bastante para a disseminação de preconceito e discriminação desta arte. Pois era uma zona de intensa circulação de imigrantes embarcados, muitas vezes bêbados, arruaceiros e envolvidos com droga e prostitutas.

Hoje a tatuagem vem atingindo todas as camadas da população mundial, sem distinções. Temas infinitos que variam tanto quanto as personalidades dos tatuadores e tatuados.
Os motivos são diversos e não há uma forma definida que explique de fato o desejo, o ato de se tatuar, mas uma coisa é certa, tatuagem não é algo descartável, por isso é fundamental pensar bem, não se deixar levar pelo impulso, modismo, pra mais tarde não se arrepender, pois a retirada é feita a laser em várias sessões(pois depende de vários fatores) e fica muito caro.
Só uma coisa eu digo:
_ temos que ter personalidade e responsabilidade na escolha do desenho, do local e do tatuador (que será feita a tatoo) e principalmente levar em conta alguns fatores como: higiene, protetores descartáveis, equipamentos esterilizados, aventais, luvas, máscaras, a existência de um livro de registro de cliente e de um termo de licença sanitária(ANVISA) e seguir as orientações do tatuador, após a realização da tatuagem, para que a cicatrização seja perfeita
.




O ser humano traz catalogado em si, um universo muitas vezes desconhecido por ele, pois nem sempre nos damos conta do todo, e o real valor e significado de todas as coisas...e com o decorrer da vida, muitas idéias vão tomando forma, modificando, e muitas coisas que não aceitávamos, passamos a vê-la fazendo parte do nosso universo!
_ Uma obra não assinada:
“ Menino do Rio, calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço”...
Não me arrependo de nada, pois no decorrer da vida somos todos marcados, querendo ou não!!!
Até breve...


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Desenho a Nanquim

Sempre gostei muito de trabalhar com o preto e o branco, talvez como muitos fotógrafos, que apesar de toda
tecnologia existente ainda preferem retratar em preto e branco,
por achar que a
“autenticidade”
está no que captamos,
no lado positivo e
negativo. Eu em particular,
digo que existe aí, uma beleza
ínfima, onde a expressão grita
na sua forma original, e os
traços se limitam no
contraste de duas cores
que se complementam na
“ausência e na presença”.


Quando comprei minha primeira caneta nanquim, eu não sabia usar direito, comecei me aventurar entre linhas, rachuras, sobrepondo-as, variando o espaço entre elas afim de criar gradações de claro e escuro. Entendi que tinha que ser dinâmica, audaciosa, delicada e rendilhada, o desenho provoca um impacto direto, vivo.
O trabalho com a caneta e tinta tipo nanquim é direto e muitas vezes sem retorno: depois que foi feito uma marca no papel, é muito difícil(as vezes impossível)apagá-la, portanto não há lugar para indecisão. O ideal é contar com a segurança para saber o que vai colocar no papel antes de começar.


O desenho com tinta a nanquim é um dos meios mais antigos de expressão visual do homem; de fato os chineses fabricam tinta preta desde 2.500aC.
Através dos tempos a engenhosidade do homem produziu varetas mergulháveis em tinta, penas cortadas e modeladas e caniços cortados, sem falar da caneta bambu usada durante muitos séculos pelos chineses, e até hoje preferida por muitos artistas.


Atualmente existem tintas tipo nanquim a prova d’água(solúveis, adequados a diferentes estilos de desenhos) e vários tipos de caneta a nanquim(com medidas de pontas que começam com 0,1 à 2,0- a espessura do traço varia com a superfície do traçado e tinta).
Portanto se você sempre achou que a tinta é um material mais apropriado para escrever do que desenhar, está por fora...rsrsrs... alguns dos melhores desenhos que o mundo já viu, foram executados por artistas que trabalham com simples tinta preta. Sendo assim, eu continuo usando minhas canetas (que são muito bem cuidadas)...desenhando de forma livre e solta tudo aquilo que vejo, sinto, sonho e transformo através de meus traços!!!

Obs.: Todos os desenhos em nanquim são de minha autoria.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

AQUARELA, técnica fascinante de pintar



Aquarela: Pintada por Waleria Lima


Quando olhamos para nós mesmos, e enxergamos aquele que se encontra camuflado num corpo estranho, temos a nítida impressão que somos realmente como a própria natureza, e que por trás de nossa janela, existe a luz do sol, e tudo é belo de fato lá fora; e ora nublado encobrindo o azul do céu ...e tudo é visto de outra forma, e assim somos nós!! Então por que tantas cobrança se somos vulneráveis a todo tipo de mudança? Por que nos cobramos tanto, se de fato somos o que a escritora Cecília Meirelles deixou bem claro em sua poesia: “ Ou Isso ou Aquilo”?
Você deve estar a se perguntar o porque de tudo isso, mas fique calmo! É que hoje vou falar de uma técnica fascinante de pintar, e o mais antigo processo artístico que se conhece. Suas cores são apresentadas em matéria pastosa acondicionadas em bisnagas de chumbo. Há também as mesmas cores em pastilhas duras, para serem dissolvidas por meio d’água. Tem particularidade vantajosa de ser misturada a uma infinidade de outras tintas aquosas, como: guache, tintas vinílicas, anilinas, ao nanquim, a ecoline, a tinta acrílica, além de possibilitar muitas outras. Já sabe o que é?? Tá boooom, vou falar: - AQUARELA - Essa técnica de pintura fundamenta-se na sua extrema simplicidade de meios; esta simplicidade, no entanto é aparente.


Entre os artistas e mestres genericamente a aquarela é considerada como gênero mais difícil, entre todos os outros processos conhecidos. Realmente existe verdade nesta afirmação, aliás, sabemos nós que tudo “aparentemente” mais simples, acaba tornando-se mais complicado, talvez por exigirmos muito de nós, e exagerarmos na dose.
É comum ouvir: - o difícil é a mistura das cores; realmente concordo que é difícil, entretanto para quem pouco ou nada sabe do ofício.
Se não conhecermos por experiência o comportamento das diversas cores e gamas cromáticas, no que tange justaposição das mesmas que em paralelo fornecerão um segundo efeito harmônico, então jamais poderemos terminar satisfatoriamente uma paisagem, uma natureza morta... Resumindo, sem técnica o pintor não saberia o que fazer das tintas.
O artista precisa ter resistência, persistência e força interior afim de poder superar as fraquezas até a meta a que se determinou!! Estes são os princípios fundamentais da arte... insistir, não desistir jamais!! Por isso hoje, eu entendo que mesmo quando cometemos um erro realmente grave, podemos tirar proveito dele de diversas maneiras. Além disso, a própria tentativa de corrigir os erros eventuais, e através destes fazer descobertas interessantes e inestimáveis lições. Soluções que o tempo jamais seria capaz de ensinar.
A aquarela é praticada com meios absolutamente inversos aos da pintura a óleo. Na pintura a óleo as tintas são levadas a tela em camadas densas sobrepostas, reservando as “luzes” para o final; já na aquarela, as luzes deverão ser levadas em consideração de início, representadas unicamente pelo fundo branco do papel (pois a cor branca não existe, já que as cores são transparentes) de preferência granulado e áspero, pois assim as tintas aderem adequadamente.


O tributo da pintura a óleo é a opacidade. Ao inverso, na aquarela devem sobressair suas vistosas cores translúcidas.
A aquarela é um meio de expressão delicado, e transparente, que exige rapidez, sem se ater as minúcias, e sem sobrepor a tinta para retoque, por isso, o motivo de tantos estudos.
Quando vemos uma aquarela pronta, não imaginamos quantos segredos cabem nesta técnica aparentemente “fácil”. Então eu pergunto: - Você sabia que ao secar, a aquarela perde a metade de seu colorido? – Então!! Por isso um esboço que pareça vivo se tornará pálido e esmaecido quando acabado.


A aquarela apresenta um bonito efeito de transparência porque nela se utiliza pequena quantidade de cor diluída em muita água. Com a evaporação, o papel branco ou amarelado adquire a luminosidade: a luz se reflete por meio da transparência da tinta. Pode-se no entanto, aplicar outras camadas de tinta, até obter uma coloração mais forte.
Você deve estar pensando: - engraçado, ela disse que se deveria evitar a sobreposição de tinta para retoque... e agora.!?!
- Correto!!! A medida que se pintam novas camadas, a transparência da aquarela vai desaparecendo e sua luminosidade pode se anular por completo, e este é o problema...por isso, o esboço seja tão importante , para alcançarmos a meta do ideal sonhado, e a chave deste segredo. “Talvez”, seja desnecessário dizer, é “a paciência”!! Quando estiver pintando o céu de uma paisagem, lembrar que devemos pintar com tonalidades bem mais escuras, afim de obter uma tonalidade geral mais exata depois de seca a aquarela. Desta forma evitaremos os retoques, os quais sempre tendem a subtrair o brilho da tinta original, anulando por sua vez seus distintos pigmentos.
Um dos aspectos fascinantes do trabalho com aquarela é que você pode criar efeitos não só acrescentando tinta, mas também removendo-a com uma esponja ou pano úmido.
Aquarela - Pintada por Waleria Lima

Resumo dizendo que a aquarela é a forma genuína de captar e esboçar de forma rápida espontânea e com segurança aquilo que queremos eternizar!
_ Que tal começar agora o esboço de uma paisagem por meio de figuras pinceladas, que constituirá mais tarde um manancial a recordar, cheio de saudade, de um momento que “talvez” nem mais volte a se repetir?!?

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Perspectiva como poderoso instrumento.

Ao contrário das esculturas e das instalações e na tentativa de representar a realidade no papel ou na tela, o artista se depara frequentemente com um dos problemas mais comuns neste campo: a representação da profundidade.
Entre o mundo que nos rodeia, os objetos que se encontram a nossa volta, percebemos neles 3 dimensões, ou seja: altura, largura e profundidade. Já quando pintamos um quadro em qualquer que seja o tema, nessa representação encontramos altura e largura. Trata-se de uma realidade bidimensional e não tridimensional. Portanto aquilo que o artista faz ao representar no seu quadro uma determinada cena que vê a sua volta, é uma verdadeira tradução de uma realidade já existente para outra totalmente diferente, que cria servindo-se de regras.

Devemos ter em conta que embora uma determinada cena em perspectiva nos pareça algo real e evidente, na realidade trata-se de mais um traço da nossa herança cultural.
Assim sendo, não existe uma regra absoluta para representar a realidade que nos rodeia
de forma totalmente fiel, mas antes diferentes caminhos para nos aproximarmos do que seria uma representação satisfatória.
Além disso, é preciso lembrar que a perspectiva só fez parte da tradição pictórica a partir do renascimento, e isso apenas na cultura ocidental. Tanto noutras culturas como períodos anteriores o homem tinha outras formas de representar 3 dimensões numa superfície plana.
Hoje em particular, quero dar umas pinceladas sobre 4 tipos de perspectivas fundamentais para se conseguir bons resultados:

Temos a perspectiva aérea que é aquela linha reta que parte dos olhos do observador até alcançar a linha do horizonte (linha imaginária horizontal que se situa a altura dos olhos do observador). Esta linha que estabelece a altura dos objetos situados na sua trajetória. Essas vão diminuindo progressivamente até desaparecer no último plano da paisagem. Sendo assim, os segredos básicos para reproduzir a perspectiva aérea são bem simples: reduzir progressivamente a intensidade das cores do fundo e ao mesmo tempo clareando seus tons.
Acrescentar tonalidades de azul as cores para esfriá-la e iluminar textura e detalhes dos motivos do fundo, fazendo contornos incisivos para que pareçam borrões. Apenas acrescento de que nada adianta uma perspectiva aérea produzida com todo cuidado, parecerá falsa, se o primeiro plano e o plano intermediário não estiverem bem definidos, para ajudar o plano de fundo recuar. (isso na pintura).












Já na perspectiva linear quando observamos a realidade que nos rodeia, percebemos claramente que os objetos são vistos bem menores ao se afastarem de nós. Também vemos que duas linhas paralelas convergem ao longe até se unirem na linha do horizonte. Então vemos na pintura que além dos efeitos esmaecidos das cores dos planos mais afastados observamos que o tamanho desses objetos no plano de fundo parece diminuir.



Paisagem urbanas proporcionam a oportunidade perfeita para transmitir profundidade por meio da perspectiva linear.
Lembre-se de que as linhas paralelas das ruas e dos prédios devem convergir todas para o mesmo ponto
de fuga.


A perspectiva paralela(abaixo) utiliza-se quando se quer representar um ou vários objetos cuja a face frontal é paralela ao plano do quadro e as outras faces perpendiculares. Esse tipo de perspectiva caracteriza-se por ter um único ponto de fuga(pontos que se encontram quando prolongados na linha do horizonte). O referido ponto está situado no local em que a linha do horizonte e o raio visual central se intersectam. O raio visual central é, de entre todos os que se dirigem do olho do observador para o objeto, aquele que é totalmente perpendicular ao plano do quadro.






Um objeto está em perspectiva oblíqua, quando nenhuma de suas faces apresenta-se a frente do artista. A conseqüência disso é que não temos apenas uma série de linhas de fuga, mas duas correspondem os pontos de fuga na linha do horizonte. (abaixo)










Não há dúvidas de que a perspectiva é um poderosíssimo instrumento de que o pintor dispõe para representar na obra, uma cena de forma muito aproximada daquela que vemos na realidade. Portanto acho necessário ter algumas noções básicas sobre tudo aqui falado, para poder se expressar com segurança, no campo do desenho e da pintura realista, mas devo dizer também, que o uso ou não da perspectiva não faz com que uma obra seja melhor ou pior.até porque com o tempo muitas transformações mudaram radicalmente a nossa maneira de expressão.
Digo que além de um bom desenho e de uma boa pintura, também é necessário ter personalidade, sensibilidade e uma grande dose de bom gosto!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Delacroix Ferdinand Victor Eugène - França 1798/1863



A Liberdade Guiando o Povo- 1831(óleo s/tela)



Como seria bom se todos perdessem algum tempo do dia, escrevendo sua história de vida! Quem sabe assim, pudéssemos fazer uma análise de nossas atitudes, traçar trajetórias, passar para outras pessoas as nossas experiências, descobertas...acredito que assim, poderíamos simplificar a vida, e nosso modo de ver as coisas.
Delacroix registrava em seu famoso diário com beleza literária, impressões croquis ou esboços iniciais, que depois, vinha enriquecendo com novos elementos. Sobre seu método de trabalho, escreveu:
_”Quando vejo o 2° croqui, de fato, quase copiado do anterior, mas no qual minhas intenções estão mais claras – tirando as coisas inúteis e introduzindo, por sua vez esse grau de elegância que sentia necessário para alcançar a impressão do tema – O 1° me é insuportável.”

Para ele, a arte é um trabalho de longa maturação, que nada tem a ver com as coisas que já nascem acabadas. A propósito registrou em seu diário:
_ ”O belo tão difícil de encontrar é ainda mais difícil de traduzir.”
Como os hábitos, como as idéias, ele sofre todo o tipo de metamorfose. Considerado o maior pintor romântico da França, Delacroix iniciou sua formação artística no atelier neoclássico Pierre Guérin (amigo de Gericault) e estudou os grandes quadros de batalhas do Barão de Grós. Experimentou também, aquarela e a gravura...

Estudos -Garanhão e égua (bico de pena)

Extraordinário colorista, de tons brilhantes, sombras luminosas e transparentes.
Suas obras baseiam-se na construção triangular ou diagonal, tão utilizada na renascença e no barroco, por pintores como Veronese e Rubens.
Delacroix gostava de abordar temas literários e patrióticos entre os quais “A Liberdade Guiando o Povo (1831), verdadeiro manifesto do novo romantismo revolucionário, exaltando a revolução de 1830.
A viagem para Marrocos em 1832, e o regresso através da Espanha, colocam em sua paleta novas cores vivas e luminosas.
Na costa africana, o pintor estuda a natureza, os homens, seus costumes, suas festas coloridas.
Delacroix executou também grandes ciclos de trabalho em Paris, entre os quais as alegorias do Palácio Bourbon e o teto da Galeria de Apolo, no Louvre.
Essencialmente romântico Delacroix, atormentava-se diante do realismo que começava a ser introduzido nas artes de seu tempo. Não via mais nada além das ilusões que pretendia criar com a pintura.

Foi com 50 anos de idade que Delacroix, começou a demonstrar maior interesse pelos animais. Ao acabar de ler um livro sobre história natural, registrou em seu famoso diário:
_”Elefantes, rinocerontes, hipopótamos, animais estranhos. Que variedade prodigiosa de animais, e que variedade de espécies, formas e destinos”!
Sem falar dos imponentes cavalos que ele pintou desde a juventude – “os cavalos de Delacroix”.
– destacam-se dos que foram pintados e desenhados por artistas de todas as épocas, por duas características principais: - seus cavalos são sempre apanhados em movimento, empinados, na confrontação entre guerreiros, em luta com outros animais, ou enquanto rolam pelo chão feridos e geralmente estão aos pares, um diante do outro; ou um ao lado do outro, como na intitulada obra – “Cavalos que saem do mar”._ Aqui Delacroix coloca os dois fogosos animais em contra posição, mas numa relação de reciprocidade, onde um é a imagem do outro, o que acentua a profundidade da obra.Seus cavalos podem ser considerados figuras épicas extraordinárias. Eles são vistos na concepção romântica do pintor, como símbolo da elegância, por suas linhas arrojadas e significativos tons de pelagem. E traduzem no ímpeto do próprio movimento a paixão que anima a pintura deste grande mestre.
Apesar de longe da representação real, a imagem desses cavalos transmitem uma “notável sensação de realidade”. Vendo esses animais, tem-se a impressão de vida, de poder cavalgá-los, puxar-lhes as rédeas, e até sentir-lhes o cheiro. É um realismo que o autor alcançou, sem procurar a exata imitação, mas colocan
do em seu trabalho a “marca do espírito”, como gostava

de acreditar.



Cavalos que saem do Mar - 1860(óleo s/tela)



Delacroix tinha em seu diário um companheiro fiel, onde depositava tranquilamente todas as suas impressões, esboços e todos os tipos de sentimentos, onde as emoções tomavam conta de suas anotações.
Romântico, misterioso, sentia-se profundamente solitário – onde dizia: “Tenho dois, três, quatro amigos e sou obrigado a ser um homem diferente com cada um deles, ou melhor, a mostrar a cada um, a face correspondente. Esta é uma das maiores misérias; não poder nunca ser conhecido e sentido por inteiro por um mesmo homem. E quando penso nisso, creio que é a soberana chaga da minha vida.”
O atelier agora está completamente vazio. Este lugar que se viu rodeado de todo tipo de pintura, dentre as quais, muitas agradavam e despertavam uma lembrança ou uma emoção-mas fica aqui registrado, um pensamento de Cézanne sobre Delacroix: -“É a paleta mais bonita da França! Não há ninguém sob o céu que possua a vibração de suas cores!.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Um breve histórico da minha vida

No dia 11 de Novembro sobre a regência do signo de escorpião, eu vim ao mundo.
“Os escorpianos são muito imaginativos, intuitivos e têm uma grande capacidade para analisar situações e pessoas. De todos os signos do zodíaco, são os que mais probabilidade têm para converter-se em gênios” -mas deixa isso pra lá... rsrsrs...
Nasci e cresci na cidade do Rio de Janeiro numa família de pessoas simples, mas de muita fibra, que me educaram e me ajudaram a entender o valor da educação e da família.


Minha infância foi recheada de muitas brincadeiras e personagens já imaginados.
Morávamos numa rua sem saída e minha casa tinha varanda e quintal grandes, onde eu e meus irmãos corríamos, pulávamos corda, pique, queimado, amarelinha, jogávamos bola, soltávamos pipa, por que não? Pois sempre gostei de ação! Um tempo onde criança era criança, com liberdade para brincar... mas tinha meus momentos “tranqüilo,” onde desenhava e cortava meus personagens, e depois dava vida a eles.
Já na adolescência, meus desenhos começaram a ganhar força e estilo. Sempre atenta a tudo, observava na natureza cada detalhe, o que muitos olhos não viam. É como observar o céu e ver nas nuvens desenhos formados.
Digo que sou autodidata, pois sempre trouxe dentro de mim a artista que nasceu, cresceu e se desenvolveu... atuo em várias categorias, dizem que sou “completa” – admito que mesmo fazendo tudo com amor, digo que a pintura é uma janela aberta onde revelo realmente quem sou!

Hoje, me dedico exclusivamente ao mundo das ARTES. Formei-me em Educação Artística e Artes Plásticas pela Faculdade Bennett – RJ onde tenho no currículo várias exposições de desenho,pintura(óleo/acrílico), módulos em papel, esculturas(pedra sabão, madeira, gesso), instalações, performances, capas de livros, logotipos, outdoors, cartões de natal, encomenda de desenhos, arte- final(algumas firmas) cartazes, faixas, painel de carro alegórico-Ubatuba-S.Paulo e restaurações diversas (porcelana, quadros, madeira, etc.) inclusive para alguns artistas, Casa Rui Barbosa...
Vida de artista não é fácil, mas não entendo a vida sem ARTE. Não há nada mais fascinante que pintar, não é o corpo que trabalha, mas a alma incansável que desperta em cada pincelada! Entendem o que eu quero dizer?

domingo, 27 de setembro de 2009

Vencida pela Paixão

Meu trabalho é composto por um conjunto de obras onde procuro transformar em imagens, situações reais e ilusórias do cotidiano. Anjos sem Asas- Óleo S/Tela -75x60
Quando pego uma tela em branco e começo a pintar, várias etapas foram ultrapassadas, pois nada advém do nada. Em cada tema trabalhado levo um longo tempo estudando a idéia, compondo, pesquisando, até chegar a fase preparatória, onde passo o desenho já pronto para tela, e neste momento então começa surgir os primeiros toques e o tema começa a ganhar vida, onde a realidade e o ilusório se confundem.
A Concha e o Despertar- Acrílico S/tela - 50x60
Esta fase é muito satisfatória, ver que aos poucos aquilo que estava simplesmente numa folha de papel começa a ganhar teatralidade, de uma forma singular, intrigante e absurdamente colorida, pois minhas pinturas possuem vida própria, onde os sentimentos a sensibilidade se fundem e se completam!
Jogo de Gamão - Óleo S/Tela - 18x15
Não sei dizer ao certo quanto tempo levo em um quadro, pois cada um tem sua identidade, e são eles que dizem aos poucos quando estão prontos, tanto que alguns levam anos...
Quando pinto sinto-me realizada. Procuro desenvolver em cada quadro uma história, uma linguagem, uma emoção, na tentativa de transpor a barreira do óbvio, abrindo uma janela para um outro mundo, numa nova visão!

Beleza Oculta - Acrílico S/Tela - 50x50

sábado, 26 de setembro de 2009

Meu Universo

Janelas abertas, muita iluminação, e um mundo de idéias!!!


Este é meu Atelier, onde passo horas pintando...
Sei que as histórias se repetem com muitos artistas, mas no começo de minha carreira, era complicado , pois não tinha lugar certo para pintar, então levava um tempo pra preparar tudo, e quando ia pintar sempre haviam interrupções.
Quando já cansada, não podia deixar tudo como estava, para continuar a dar alguns retoques, pois tinha que guardar tudo, e no dia seguinte começava tudo outra vez... fora o cheiro das tintas que é muito forte, e as reclamações...


Hoje tenho espaço de sobra...rsrsrs...onde posso trabalhar do meu jeito. Um local amplo, arejado,
onde pinto, desenho e faço vários estudos ao mesmo tempo.
Trabalho sempre ao lado da janela que se mantém aberta o tempo inteiro, pois a ventilação é muito importante, fora a claridade natural e o que mais prezo - "a privacidade", que para um artista é fundamental .
Aqui passo horas desenhando...é aqui que eu coloco no papel, todas as minhas idéias, projetos, criações...
Desenhando o layout do Wallarte em nanquim
Atelier - Trabalho -restaurando












sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Minha lista de links interessantes

Não deixe de ver, Você irá gostar...

http://www.banzaitattoo.com.br/ - Tatuagem

http://www.fotolog.com/markryden - Pintura

http://www.fotolog.com/djlucyus - DJ Lucyus

http://www.hospitaldasbonecas.com.br/ - Hospital de Bonecas

http://www.linesandcolors.com/ - Arte Pura

http://www.mennabarreto.com.br/ - Pintora

http://www.daligallery.com/ - Salvador Dali e suas pinturas.

domingo, 20 de setembro de 2009

Navegando até o Porto.



Vista da Sé - Porto -


Recebi um selo dizendo: “ este blog, é viciante!”, e fiquei pensando como abriria em meu blog um espaço para agradecer essa escolha, e ao mesmo tempo demonstrar isso de uma forma simples, sincera e pessoal...então vamos lá...


Muitas vezes me pego pensando o que nos diferencia, e tenho a sensação de que ser único, é ser marcante! Por isso vou exercer aqui, “talvez” uma sinceridade “ingênua”, que seria difícil, senão impossível expressar, sem abrir meu coração.


Há um ano atrás, teclando meu computador me vi navegando pelas águas do oceano para terras distantes, e quando me dei conta, estava em Portugal; para ser mais precisa na cidade do “Porto”... onde tive o enorme prazer de conhecer a Donagata do blog “Ponto de Cruz”, onde entrei pela primeira vez, e confesso que lá, pude descobrir que não parei por acaso, ou se foi coincidência, pouco importa, pois se a gente soubesse tudo, creio que os sonhos não seriam tão cifrados, cheios de símbolos e códigos complicados.


Entre uma postagem e outra, descobri a força da palavra e seu poder de criação!
Digo que sua escrita é um diálogo constante entre a inteligência e a sensibilidade de ir na essência das coisas!
As palavras percorrem caminhos variados sem cansar. Ora não dizem, mas revelam, e outras são ditas, mas cheias de mistérios...
Brincando com as palavras, não se limita ao óbvio, sintetiza, analisa e ainda por cima faz poesias e as declama...
Trecho de uma de suas poesias:
- “Será que o amor é suficiente para juntar as penas?
- Será que poderemos ainda voar juntos?”....

Ah! Cristaliza a beleza da alma!
Como é difícil ter que viver palavras, com os mesmos sentimentos contidos nelas!...
Agradeço a sincronicidade e a oportunidade de tê-la conhecido e fazer parte de seu universo!


Infelizmente tenho que escolher somente 10 blogs viciantes, então aí vai:












Normas: - colocar o selo
- colocar o nome do blog que te indicou.
- 3 objetivos em relação a blogosfera.
- indicar 10 blogs que você considera viciantes.
Já ia me esquecendo de dizer meus 3 objetivos:
- criar um novo espaço em meu blog com novidades
- manter o mesmo entusiasmo para continuar postando
- 3° e último - me manter viciante... Kkkkk!!!!
Até a próxima!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Frida Kahlo (Magdalena Carmem Frida Kahlo Y Calderon)- México 1907/1954.



Lutar para viver, viver para não morrer, essa foi à trajetória de vida, de uma artista que teve um destino sofrido, feito de perdas irreparáveis, mas que foram amenizadas com a dedicação a pintura, de uma forma tão verdadeira, onde a realidade de sua vida está pintada em cada tela, de uma forma clara, sem que tenhamos que imaginar o que ela quis passar com aquele tema pintado. Pois basta conhecer sua vida, e passamos a ver Frida Kahlo em cada tela. Como se fosse um livro autobiográfico.
Título do quadro: As duas Fridas.

Frida começou praticamente a pintar, quando estava se convalescendo de um acidente que ocorreu, entre a colisão de um bonde e o ônibus, quando seguia da escola para casa, onde ficou gravemente ferida. Isso acontece com várias pessoas que passam por momentos difíceis, e dentro desse baixo padrão vibratório, procura uma forma de ajuda, de bem estar, para compensar, e sentir a necessidade de emergir.
Foi assim que Frida começou a ver na pintura, sua maior forma de expressão, e de repente deixar em suas telas: - suas angústias, deficiências, suas perdas e sua dedicação a política.


Frida teve poliomielite, que a deixou com o pé direito deformado, sofrendo várias cirurgias, tendo que amputar vários dedos. Mais tarde com problemas na coluna, teve que operar 7 vezes, ficando praticamente numa cadeira de rodas. Depois teve que amputar a perna direita até o joelho.
Em uma de suas exposições, teve que comparecer numa cama.
Frieda tentou ser mãe várias vezes, mas não conseguiu.



Frieda foi uma mulher que viveu à frente do seu tempo, onde as diferenças não existiam. Lutou como mulher e por seus direitos. Tornou-se membro do Partido Comunista Mexicano. Atuou como professora na Escola de Arte “La Esmeralda” em 1943, onde procurou passar para outras pessoas, tudo aquilo que sabia, e nos deixou como herança:
- determinação, perseverança e confiança, num ato de amor e fé.
Título do quadro: O Veado Ferido.

sábado, 29 de agosto de 2009

Aleijadinho - Antônio Francisco Lisboa (1730/1814



Entre as montanhas características da cidade, no sobe e desce das ruas, num labirinto de detalhes onde as pessoas se sentem encantadas com a antiga Vila Rica, que com seu silêncio e cheia de mistérios, rica encantadora e surpreendente, se mostra e se esconde ao tempo, revelando aos poucos seus segredos num mundo fantástico e de riqueza artística, onde surgiu e se desenvolveu o Barroquismo Mineiro.


Cidade tombada pela UNESCO – como patrimônio histórico e cultural da humanidade, um conjunto arquitetônico e urbanístico, com seus divinos templos religiosos, edifícios, chafarizes, fontes e ruas estreitas com casarios de época, nos transportam ao século XVIII, e por um instante pode-se ouvir o ruído das carruagens pelas ruas de pedra, o rumor dos mascates vendendo suas mercadorias de porta em porta, os passos apressados dos escravos carregando as cadeiras de arruar, as procissões nos dias de festas religiosas, e como se num leve despertar as luzes das velas se apagam, e a realidade volta e nos deparamos no Museu da Inconfidência... várias coleções de obras de Antonio Francisco Lisboa ali expostas causam profunda impressão! –" O aleijadinho" – conhecido assim, por ter sido acometido por uma doença que aos poucos deformou e inutilizou o artista que não se dava por vencido.
Arrastava-se, usando uma espécie de joelheira de couro, e mandava que amarrassem o martelo e o cinzel as mãos, para continuar a esculpir.


Filho natural do português Manuel Francisco Lisboa, considerado um dos melhores arquitetos de sua época, e de sua escrava – Isabel –
Aleijadinho sabia ler e escrever. Iniciou o aprendizado de desenho, arquitetura e escultura como o pai. Continuou sua formação com João Gomes Batista, da Casa de Fundição de Vila Rica.
Suas obras acham-se distribuídas pelas igrejas de onze cidades mineiras. A maior parte de talha e escultura está em Ouro Preto. Dois de seus mais importantes trabalhos, no entanto se encontram em Congonhas do Campo: - os doze profetas (um conjunto de 12 estátuas em tamanho natural) esculpidas em pedra sabão e os Passos da Paixão, com suas figuras pintadas por Manuel da Costa Ataíde e Francisco Xavier Carneiro, auxiliados por vários entalhadores. Outras esculturas famosas são a Fonte do Padre Faria do Alto da Cruz, em Ouro Preto,( primeiro trabalho em pedra sabão) e as imagens de São Simão Stock e São João da Cruz, realizadas para a igreja da ordem terceira do Carmo, em Sabará.
Executou também as esculturas em pedra sabão no frontispício e na porta desta mesma igreja, e por aí vai...


Nome dos profetas:
- Abdias, Amés, Baruch, Daniel, Ezequiel, Habacuc, Isaías, Jeremias, Joel, Jonas, Naum e Oséias.
Aleijadinho manteve-se ativo até 1812, quando ficou cego e morreu em 1814. Isolado e completamente esquecido por seus contemporâneos. Só foi lembrado depois de meio século, por Rodrigo José Ferreira Bretas, seu 1° biógrafo. E o reconhecimento definitivo só chegou após o movimento modernista em 1922 – que se preocupou com a afirmação dos valores nacionais!
Preconceito? Não sei! O que sei é que Antônio Francisco Lisboa alcançou um nível de criatividade fantástico, e conseguiu passar para suas figuras uma extraordinária expressividade!



terça-feira, 18 de agosto de 2009

MONDRIAN Pieter Cornelis -Pintor Holandês-1872/1944



Por que será que muitos pais gostam de determinar a profissão de seus filhos? Será que eles sabem realmente o que o outro deseja ser, ou será que os pais querem realizar através dos filhos, os sonhos que não realizaram por motivos que também não sabemos?
Não podemos olhar o outro e vermos dentro dele o “nós”, mas enxergar o outro tal qual ele é!
O pai de Mondrian era professor, e pretendia que o filho o sucedesse no seu ofício, e somente com muita má vontade, admitiu que Mondrian se formasse na técnica de desenho, certo que depois se dedicaria a lecioná-la. Mas ao obter os diplomas que o habilitavam para executar a profissão de desenho, recusou-se e matriculou-se em 1892, na Academia de Belas Artes de Amsterdam, onde realiza suas primeiras exposições e maravilha seus professores pelo rigor de sua disciplina no trabalho. (1° ato)
Para se manter, realizou cópias nos museus e encomendas de desenho industrial.
Como na maioria dos artistas, Mondrian experimentou vários estilos, onde representou paisagens adentrando-se no naturalismo realista (2° ato).


Em 1903, experimentou uma profunda crise espiritual ao entrar em contato com grupos católicos do Brabante, que acabam retratados em seus quadros com toques místicos.
Em 1911, se abre a cortina do seu 3° ato:
- simplifica o seu sobrenome, entra em contato com o cubismo e se estabelece no
Parisiense Montparnasse, onde executa sua série de árvore, na qual persegue a abstração.
Em 1914 uma doença de seu pai o obriga a voltar a seu país natal, onde o surpreende a 1° guerra mundial, e ali teve que ficar.
Em 1917 conhece Theo Van Doesburg com quem funda a revista “De Stijl”, na qual publica vários manifestos.
Em 1919 pode voltar a Paris, onde dá à conhecer seu manifesto a –Neoplastia- exposição de seu ideário estrito. Com rigidez dirige o grupo abstraction-création, que reúne os artistas de vanguarda.


Mondrian rejeitava motivos que se pudesse identificar, ignorou a textura em suas obras, reduziu a pintura a linhas retas, que formavam ângulos retos, usando apenas preto, branco, cinza e as cores primárias. Raramente expõe suas obras, e vendia somente para colecionadores bem informados. Contudo seu nome soou mundialmente nos meios artísticos.
Com a 2° guerra mundial Mondrian, muda-se para Londres, depois fixou-se em Nova York, em 1940.
Durante os últimos anos de vida em seu 4° ato, a paleta de Mondrian se anima, e tomado pela sensibilidade, suas obras encontram um ritmo mais vivo,onde exclui o negro de sua última composição, onde pinta em retângulos, quadrados, a agitação da sua nova pátria, a exuberante vitalidade do jazz e o estrépito das ruas e pessoas.
Seu estilo influenciou a arte comercial e o desenho industrial moderno.



E o que eu posso dizer é que:
- o valor da arte moderna e em especial abstrata, apóia-se quase exclusivamente na arte de compor, e por que não compormos a nossa própria vida?



Obra inacabada-Victory Boogie-woogie-1942/43

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Aniversário e memórias.

Eu e minhas irmãs (sou a menorzinha).

Ser criança é ser você sem máscaras, sem ter noção do que seja interpretar, é como abrir uma caixa e se deparar com todas as coisas que estão lá dentro, sem cobertas, simplesmente nuas, assim como vieram ao mundo...mostrar quem você é ou melhor, aquilo que um dia poderia vir à ser. Brincar sem cansar, correr sem se preocupar em chegar em 1° lugar, sorrir porque se sente feliz, achar que num pezinho de feijão cultivado no algodão, fosse a maior maravilha do mundo, e que prender joaninha numa caixinha de fósforo ela não morreria e se tornaria meu bichinho de estimação!

Ah! O tempo é o chão que anda, e que por vezes fica difícil de alcançar, pois quando se dorme, a vida não para, e por um breve instante, sou capaz de permanecer lá dentro de minha memória e reviver momentos que não gostaria de esquecer, onde as sensações se repetem e o encanto não se perde.

Sinto medo diante do novo! Sei que a vida é um espelho que nos fazem grandes e pequenos, onde não deixamos de sermos nós...e o medo do branco! Mesmo hoje, já uma artista experiente, me vejo as vezes intimidada diante de uma folha de papel ou de uma tela virgem, e me sinto ameaçada!

Dia 14.08.09 meu blog estará completando 1 ano e tenho a mesma sensação de medo do branco, quanta responsabilidade! Aqui estou, diante de vocês, reinventando este espaço!


Esse selo fiz para presentear e agradecer à todos que tem prestigiado o blog _WALLARTE(é pra levar) _ (e deixo aqui uma frase que gosto muito:
- " A função da Arte é abrir portas, e não fechá-las!"
Um grande beijo a todos...e até breve.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Giorgio De Chirico -Italiano 1888/1978

Será que quando sonhamos saímos da realidade, ou será que a realidade está sempre em nossa vida, até mesmo no sonho?
Sei que não podemos direcionar nossos sonhos quando estamos dormindo, mas acordados...
Dizem que sonhar é preciso, pois senão iríamos enlouquecer com tantas informações... então seria os sonhos uma faxina cerebral? E o que você me diz quando sonhamos acordados?


De Chirico dizia que na vida precisamos de sonhos, mistérios, e foi assim que ficou famoso, como o principal instigador da chamada pintura metafísica – tendência oficialmente criada em 1915, e transformava os objetos cotidianos em elementos de um universo misterioso.

-A respeito de sua arte, o pintor dizia:

- “ experimentamos os movimentos mais inesquecíveis quanto a certos aspectos do mundo, cuja a existência ignoramos completamente, se nos deparam de súbito e nos colocam diante da revelação de mistérios que estiveram o tempo todo ao nosso alcance, mas não podemos ver, porque somos demasiado míopes, nem podemos sentir, porque os nossos sentidos estão inadequadamente desenvolvidos. Suas vozes mortas falam-nos de perto, mas soam como vozes de outro planeta.”


A pintura de De Chirico dirigiu-se a uma outra realidade – metafísica – além da história .
Os cenários projetados pelo pintor permitem flagrar os contornos do novo estilo, que se consolída entre 1917/1920. Os elementos arquitetônicos mobilizados nas composições – colunas, torres, praças, monumentos neoclássicos, chaminés de fábricas, etc. Constroem espaços vazios e misteriosos. As figuras humanas presentes carregam consigo, forte sentimento de solidão, silêncio. São meio homens, meio estátuas, vistos de costas ou longe.


Em suas pinturas se torna impossível de ver os rostos, apenas silhuetas e sombras projetadas pelos corpos e construções.
Nas telas de De Chirico, os objetos parecem não ter sentido, como nossos sonhos que por muitas vezes não conseguimos decifrar, outras vezes são esquecidos em fração de segundos, ficando em nós apenas sensações.


A pintura metafísica encontrada nas obras de De Chirico influenciaram os artistas surrealistas, e apesar de ter sido considerado um precursor, De Chirico, repudiou a sua obra surreal, e a partir de 1925, começou a pintar dentro de um estilo mais tradicional.
- O sonho acabou?


Os três 1°s quadros são da 1° fase - o último mostra sua mudança de estilo -








domingo, 19 de julho de 2009

C O R



A cor é fundamentalmente cor. É a protagonista da obra pictórica. O que sempre deve se levar em consideração no momento de analisar um afresco, uma tela, uma tábua.
O espectador facilmente se esquece da cor: contempla os objetos pintados, a composição e a linha, a utilização das cores, mas não analisa a cor em si só, a cor como matéria pictórica, que possui qualidades intrínsecas, que o pintor teve que saber utilizar. Esquecem do pintor, como um manipulador da cor.
Durante séculos, os pintores tiveram que moer os pigmentos misturados com aglutinantes apropriados, experimentar com combinações, às vezes com resultados catastróficos: péssimos, no lamentável estado da obra prima de Leonardo - A última Ceia – já deteriorada poucos anos depois de acabada. Por isso o pintor era considerado como um trabalhador manual, um artesão, semelhante ao tecedor.
Atualmente este trabalho prévio de preparação de cor desapareceu. Vendem-se as cores já fabricadas e preparadas para cada uso determinado, seja a óleo, aquarela, afresco, têmpera...Estudam-se cientificamente as qualidades de cada cor, para torná-la estável, segura, resistente a luz. O pintor não deve se preocupar em calibrar as proporções, entre pigmento e aglutinante, da qualidade da trituração do pigmento, de adaptabilidade de cada pigmento a uma técnica determinada: neste sentido o pintor moderno não está em contato tão estreito com sua obra, como pintor medieval, o renascimento, ou o barroco, por exemplo. Estes últimos podiam fabricar suas cores de acordo como o que esperavam obter: saturação, brilho, tom, valor cromático. E ao mesmo tempo, estavam estreitamente condicionados pelo valor material dos pigmentos. Haviam alguns caríssimos como o – ultramarinho – que só podia ser utilizado por quem havia encomendado o quadro, por dispor de meios abundantes, porque , normalmente o cliente que pagava o quadro, também pagava as cores, e ao fazer a encomenda, especificava no contrato, as cores a serem usadas no quadro.



Na natureza o vermelho, amarelo e o azul são as cores de onde todas as outras se originam a partir de suas combinações – são chamadas primárias:
Amarelo + azul = verde
Vermelho + amarelo = laranja - Cores secundárias
Azul + vermelho = roxo.
As combinações de cores primárias formam cores secundárias, que combinadas com cores secundárias formam cores terciárias e assim por diante.
A cor branca resulta da sobreposição de todas as cores (presença de todas as cores), enquanto o preto é a ausência de todas as cores (ausência de luz).
Rubens pintava com 4 ou 5 cores no máximo. Ticiano pintava com uma gama ainda mais restrita - dizia que se pode ser um grande pintor, utilizando apenas 3 cores.
Verdade seja dita, não é cômodo pintar sempre como norma apenas com 3 cores primárias. Não é prático andar procurando, por exemplo, um ocre, misturando azul, carmim e amarelo, quando já existe a cor ocre em tubo, pronta para ser usada, e com a possibilidade de ser misturada diretamente com branco, azul, carmim, para encontrar rápida e facilmente, o matiz exato do modelo. Mas na dúvida de que essa procura, esse esforço para obter todas as cores a partir das três cores primárias é extraordinariamente válida do ponto de vista da formação, proporcionando prático e profundo da mescla e obtenção de tons, matizes e cores, faz compreender uma norma básica fundamental, para ver e captar as cores do modelo.
A cor da pele e a cor da terra, a cor do céu azul, a cor das folhas verdes e das flores vermelhas. Nenhumas dessas cores aparentemente concretas podem ser
obtidas sem a intervenção para mais ou para menos das cores primárias.
-


Olha para sua mão, observe a cor da pele. Em princípio, essa cor compõe-se de vermelho e amarelo misturando com branco. Ah, mas sem o azul obterá apenas o laranja claro, ou um creme claro, apropriado apenas para determinados toques, para pintar alguns pontos talvez mais iluminados, mas que de maneira alguma corresponde a cor geral da mão; se a cor de sua mão for bronzeada precisa de mais azul, se for branca, de menos, mas sempre precisará de azul, vermelho e amarelo. Um céu exige um pouco de carmim e de amarelo para alcançar um azul mais profundo, menos estridente, mais real. Nas flores vermelhas há amarelo, nas luzes e reflexos – e há azul nas sombras e penumbras.
Bom, agora tenho que fechar o pc, pois as cores estão tomando conta dos meus olhos e da minha alma, pois acabei de ter novas idéias para pintar um novo quadro! Tchau...




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