A criação artística não nasce por geração espontânea.
Pensar que o artista é um ser privilegiado, a quem a inspiração chega sem que ele contribua com nada ou quase nada, é falso, ingênuo, esse pensamento.
A inspiração não vem do ceú. É preciso ir ao seu encontro, consultando, esboçando, trabalhando num processo intelectual, em que o espírito de observação, a imaginação, o conhecimento e a experiência se fazem presente.
O tema costuma ser sugerido por algo que vimos, conjunto de formas, um efeito especial de luzes, de sombra, contraste, de cor.
O tema de um quadro, parece de princípio, uma das coisas mais fáceis, mas muito pelo contrário, existe sobre tudo um preparo para que isso aconteça.
Olhar uma tela em branco e querer de uma hora para outra pintar, é difícil, precisa-se trabalhar num conjunto de coisas, pois nada advém do nada. Os artistas não criam num vazio. Eles são constantemente estimulados por outros artistas e pelas tradições artísticas do passado.
Em 1° lugar, devemos estudar o tema principal, um ponto de interesse para o qual os olhos do espectador sejam imediatamente atraídos.
Embora pareça lógico colocar o tema principal no meio do trabalho, essa solução costuma criar um resultado monótono - a não ser que o artista
aplique um senso estético apurado pela experiência.
É melhor colocar o tema ligeiramente fora do centro .
Essa norma também é utilizada para determinar a localização das linhas do horizonte e de temas secundários.
Sobre tudo em telas de altura bem maior do que é a largura.
Desenho A - O tema está no centro do quadro. O resultado é monótono. Pois os olhos do
observador não têm para onde ir. Depois de se fixar na árvore
Desenho B - O tema está no terço da direita, levando o olhar do observador a atravessar
a composição em direção a ele - um arranjo bem mais interessante.
Desenho C - O tema na intersecção das linhas cria equilíbrio entre ele, o fundo e a área do céu.
Desenho D - A mesma regra é aplicada aqui ao ponto de interesse de um tema maior
- a cabeça do gato.
Desenho E - O tema principal (cabeça) e o secundário (igreja)situados em intersecções opostas.
Uma solução equilibrada.
Essas noções me foram ensinadas quando estudei no Parque Lage, lugar lindo, muito verde, onde ali, passam artistas de todas as áreas, pois ali é patrocinado vários cursos: desenho, pintura, escultura, teatro,.. exposições, peças de teatro...
Lá tive aulas de pintura livre, e recebi muitos elogios por mostrar um tipo de pintura diferente.
Convivi com pessoas interessantes. Tive aulas de modelo vivo, onde o nu não
assustava nem despertava qualquer tipo de constrangimento, pois no meio artístico tudo é visto com a maior naturalidade.
Lembro-me que tinham uns arquitetos, onde a luta constante do professor, era com que eles perdessem aquela característica dura, numa forma mais solta, mais leve.
Enfim o Parque Lage me serviu para dar um grande passo em minha vida, dando-me coragem de abandonar a faculdade de direito, e ingressar de vez no mundo das ARTES! E quando lá já estava pude perceber, que não deixei nada para trás, apenas descobri minha verdadeira vocação!