
Salvador Dali um pouco mais velho

Salvador Dali um pouco mais velho
Por que será que certas pessoas colecionam objetos? Será que existe sempre uma estória por trás de cada coleção, ou simplesmente guardam por guardar os objetos que vão preenchendo espaços? – Mas vamos lá... o que leva um ser humano se tornar um grande colecionador? Dizem que a origem das coleções, é tão antiga quanto a espécie humana. Desde a pré-história, os homens primitivos colecionavam pedras, justamente por serem seduzidos pela forma ou cor. Essa antiga vontade de reunir objetos está ligada a razões intelectuais ou espirituais.
Na renascença, os mais abastados se interessavam por tudo que pareciam peculiar ou bizarro, formando diversos tipos de coleções.
Colecionar os objetos, não era uma coisa “simples”, nem para as classes mais pobres, tanto que até o sec. XVI, colecionar era privilégio de príncipes, onde os interesses se concentravam em objetos belos e preciosos, que poderiam aumentar sua fortuna e poder.
O jovem faraó – Tutankamon – colecionava cerâmicas finas, enquanto os príncipes e governantes acumulavam jóias e objetos de luxo, durante a Idade Média.
Com o florescimento dos museus na Europa e Estados Unidos, no sec. XIX – coleções particulares ou advindas da realeza passaram ao domínio público, tornando a arte popular e não mais restrita a poucos.
Por tudo que li, pude sentir que os maiores colecionadores são do sexo masculino, por acharem que o ato de colecionar está ligado a competição e agressividade. Isto explica porque na maioria das vezes, os homens adoram mostrar suas coleções e consequentemente o seu poder – enquanto as mulheres colecionam para o seu próprio uso ou fazem pouca questão de exibir seu acervo. Além disso, sabemos que o poder econômico estava ligado aos homens, o que deram a eles o interesse por itens mais valiosos.
Claro, que com o passar do tempo e de todas as transformações ocorridas no mundo, muita coisa mudou, quando falamos de homem/mulher – concorda? ...é certo que ainda não seja o ideal, mas...vamos caminhando... vamos lá...rsrsrs...
Em minha pesquisa sobre colecionadores e antiguidades, pude constatar que a maior parte, é do sexo masculino. Nos antiquários a clientela é principalmente formada por homens de classe A e B – com escolaridade superior – e faixa etária acima de 35 anos.
Além de obras de arte e antiguidades, em geral os homens tendem a colecionar:
_ relógios, canetas, armas, miniaturas de carros, trens, aviões, moedas, selos, ...
As mulheres se interessam por objetos de decoração como porcelana, bijuterias de época, bonecas antigas.... mas tudo é relativo...
Muitos colecionadores dizem que herdaram o gosto de colecionar de seus antepassados. Já outros dizem que este ato não vem somente pela educação ou cultura, mas também por complicados fatores psicológicos.
O que você acha ? _ Eu não sei... rsrsrs...se até Sigmund Freud manteve uma coleção de mais de 4.000 esculturas gregas, egípcias, romanas....
Seria uma realização pessoal ou apenas uma tentativa de preencher um “vazio”constante que existe no ser humano?
Sinceramente? Não quero saber... só sei que tenho minha coleção de miniaturas que exponho em minhas 2 cristaleiras de madeira escura e vidro transparente também pequena em minha sala, e você?
Site de uma colecionadora de bonecas de porcelana –
Feira de antiguidades do Shopping Cassino Atlântico
Av. Atlântica – 4240 – Copacabana - RJ
Sabado 10hs – até 19:00hs
Tel – (21) – 2523-8709
Feira do Rio – Antigo
Rua do Lavradio –
Tel (21) – 2224-6693
Primeiro sábado do mês – RJ
Feira de Antiguidade da praça – Santos Dumont –(Gávea)
Tel (21) – 2548-9614 – 2257-2392
Muitos vivem e não se dão conta, outros vivem germinando ideias, questionamentos, e deixando um pouco do seu perfume...sim, uma amante das plantas, apesar de não ser botânica profissional, mas um vasto conhecimento combinando a expressão artística com a natureza e a ciência.
Margareth Mee, uma pessoa com visão futura, com uma grande preocupação com o mundo, com a extinção ocorrida por vários fatores, que hoje estão devastando, ameaçando a "vida humana!" Tudo isto foi previsto há muito tempo atrás, mas devido a ignorância da época, todos eram vistos como "bruxos": e hoje qual seria a desculpa? O que fazemos com todas as informações que recebemos? Por que um jogo de futebol é capaz de mobilizar uma nação, e uma passeata em prol da paz, um não a corrupção não é capaz de mexer com o povo brasileiro?
Margareth Mee desde muito cedo mostrou ser uma pessoa de espírito aventureiro, sempre ligada a novas descobertas, buscando sempre um alimento para a alma! Apesar de ter talento evidente, colocou de lado a faceta artística e se embrenhou na vida política, e assim, como o primeiro marido, juntou-se ao partido comunista britânico. Tendo grande papel como oradora e demonstrava grande paixão por seus ideais.
Mee era despojada, uma mulher de coragem em se expor era muito grande, quebrando o silêncio imposto as mulheres na época. Dedicou-se as causas de luta contra a pobreza, a guerra civil espanhola e o movimento fascista na Inglaterra.
Não gostaria muito de me deter na parte política, mas somente dizer que nos meados da segunda guerra mundial, Margareth Mee Alterou suas convicções e com a ajuda de amigos, entrou em 1947, para a Escola de Arte de St.Martin - em Londres - a qual acho que fez muito bem, pois sua vocação gritava muito mais alto, e através dela se podia dizer muito mais ao mundo!
Com o trabalho desenvolvido nesta escola foi admitida na Escola de Arte Camberwell(Londres), onde mais tarde se tornou professora. Lá conheceu Victor Pasmore, um dos melhores pintores britânicos, e que teve uma grande influência sobre ela.
Em 1952, Mee, veio para São Paulo com seu segundo marido com intuito de cuidar da irmã doente. Chegando lá deu aulas e seu marido se ocupava como comerciante de arte. Durante este período, o fascínio pela exuberância da mata atlântica que na época cobria grande parte do estado, incluindo áreas que hoje fazem parte dos subúrbios urbanos, levou-a a pintar plantas e flores que encontrava em passeios locais. Daquele momento em diante Magareth se apaixonou pelo que viu e encontrou um novo desafio em sua vida - "pintar as florestas tropicais."
Mudou-se para Belém do Pará, e se inspirou nas pesquisas de um famoso expedicionário - Richard Spruce, cujos itinerários serviram de exemplo para suas próprias expedições.
Em 1956 fez a primeira viagem a floresta Amazônica, e ali foi um despertar de uma grande paixão que transformaria sua vida para sempre. Foram 15 expedições de 1956/1988 - digamos que seja um sonho transformado em uma bela realidade, onde seu trabalho seria: _ desenhar, pintar e coletar muitas espécies de plantas, tal como existem no seu habitat natural.
No meio dessas idas e vindas fez grandes descobertas. Registros de espécies que a comunidade científica pensava estar extintas, uma vez que não eram vistas há décadas!
Na última expedição realizou o sonho que tinha desde 1965, ( já havia tentado várias vezes ) de capturar o desabrochar da FLOR DA LUA (uma espécie rara de cactos - selenicereus Witti (cactaceae)cujas flores brancas abrem unicamente numa noite de lua cheia no ano. Declaração de Margareth Mee sobre aquilo que viu: _ "Enquanto me posicionava ali, com a orla escura da floresta ao seu redor, sentia-se enfeitiçada. Então a primeira pétala começou a mexer-se , depois outra e mais outra, e a flor explodiu para a vida!!!"
Seu trabalho começou a atrair atenções, e em 1960 foi convidada pelo Dr. Lyman B. Smith, um especialista em bromélias, para participar do projeto - "Flora Brasílica"- fazendo ilustrações na seção de bromélias.
O projeto durou 5 anos, viajou todo o país, e se tornou perita em plantas da família BROMELIACEAE, descobrindo novas espécies, três das quais receberam seu nome.
Em 1969 foi publicado o livro escrito por Lyman B.Smith com pinturas de Mee - intitulado _ "THE BROMELIADS"
Margareth sempre solicitada, veio parar no Rio de Janeiro, indo morar no bairro de Sta Teresa seguindo a sugestão do amigo e companheiro de algumas expedições - o paisagista e botânico "Roberto Burle Marx". E foi nessas expedições que colheram várias espécies de plantas tropicais para os seus jardins. Dessa maneira, MEE, pode contribuir muito para o enriquecimento dos jardins do Rio de Janeiro, doando espécies de plantas recolhidas nestas viagens.
No RJ, trabalhou com Guido Pabst, um perito em orquídeas e contribuiu para a ilustração do seus livros com suas pinturas: _ FLORES DA AMAZÔNICA, EM BUSCA DE FLORES e NA FLORESTA AMAZÔNICA(aquarelas).
O que teria levado esta pessoa a assumir um papel tão importante dentro do Brasil e para o mundo, numa visão onde a beleza das cores, a vida nas florestas tropicais se tornaram tão latentes? Seria apenas um desejo particular, ou uma visão ampla e futurista, que um dia muitas espécies desapareceriam?
Muitas viagens, muitos perigos, doenças, convivência com os índios, muitas dificuldades e cansaço, mas nada a impedia de registrar tudo que observava. Nesses 30 anos vivenciados durante suas expedições na Amazônia, foi percebendo o crescimento desordenado da atividade humana, causando alterações dos ecossistemas, e assim, a tristeza e a reflexão começaram a ganhar forma. E além de fazer seu papel como artista e pesquisadora, começou a lutar pela preservação. E apesar da falta de liberdade nos anos 60/70, não a fizeram calar. Não podendo se expor em público, procurava outros meios. Quando mais tarde se passou a existir liberdade de expressão, foi uma das primeiras pessoas, a falar sobre - DEVASTAÇÃO CRESCENTE - e sem sentido da FLORESTA AMAZÔNICA, inclusive chamando a atenção de outros países para este fato.
Margareth Mee diante de tal realidade fez uma coleção privada de todas as suas aquarelas de cada espécie, nomeando de: _ COLEÇÃO DA AMAZÔNIA - Seu desejo, era que todos pudessem ter acesso a um guia vasto e completo de espécies raras, muitas hoje já extintas. Sua intenção era vender seus registros a uma instituição americana ou inglesa, para serem preservados. Você deve estar se perguntando: _ Por que não o Brasil? _ Hum... pelo que sei, é que sua intenção era que sua coleção fosse mantida fora do Brasil, pois tinha tido experiências desagradáveis com o Instituto Botânico de São Paulo, e ainda por razões pessoais.
Foram feitas várias negociações, muitas não aceitas pelo preço inferior ao pretendido. Finalmente em 28 de Novembro de 1988 foi fechada a compra pela Companhia TRUST(Inglaterra) aceitando o preço e as condições estipuladas pela pintora como: _ 1 - dar ao público acesso fácil a coleção - 2-criação de bolsas de estudo para novos artistas e biólogos para continuarem os estudos da Amazônia - 3 - A vontade de que suas pinturas nunca tornariam ao Brasil.
Creio que o que aconteceu com MEE, acontece e aconteceu com muita gente aqui no Brasil, que é a falta de incentivo, valor e reconhecimento, mas isto, eu deixo pra uma outra postagem.
Mee morreu na Inglaterra em 1988 em um acidente de carro.
Pelo que li, posso dizer, que ela deixou um grande legado, incomparável e sobretudo regado de um sentimento nobre que define toda sua dedicação -
o AMOR -!!!
Será que um dia nasceremos sabendo qual será nosso verdadeiro destino, ou simplesmente continuaremos a buscar vários caminhos, antes da chegada ideal? Eis a questão que muitas vezes nos aflige, cansa e nos faz sofrer!
Quando poderíamos imaginar que a mesma menina chamada Anita Malfatti, um dia se tornaria uma das principais pintoras brasileiras. Alguém que tivesse tanta coragem de apresentar algo novo e revolucionário, num tempo onde tudo era representado como uma linha reta, sem curvas…aquilo que podemos definir como: _ “normal” _ mas o que podemos definir como normal, você saberia me dizer? _ Seria ser acadêmico, ou romper os laços do tempo criando novas linguagens?
Suas pinturas, geraram espanto, risos e até comentários e críticas maldosas, geraldo abalo…mas nada disso levou a artista a abandonar aquilo que foi herança materna – “ a pintura e o desenho” (foto Anita Malfatti)
Bety Malfatti (norte americana de origem alemã)não imaginava que sua pequenina menina, fosse superar suas deficiências (atrofia congênita no braço e mão direita)com vontade e determinação, passando a utilizar a mão esquerda para escrever, desenhar e pintar, já que aos 3 anos foi levada a terra do pai – Samuel – (italiano, naturalizado brasileiro – engenheiro – trabalhava com estradas de ferro e na construção civil), para tratamento médico, mas sem sucesso.
A vida de Anita Malfatti, foi esculpida de um currículo vasto, onde tudo começou praticamente em 1909, com suas primeiras pinturas, indo estudar em escolas de arte na Alemanha e EUA. Em sua passagem na Alemanha, entrou em contato com o expressionismo que sofreu bastante influência. Nos EUA teve contato com o movimento modernista.
O Farol -
Anita percorreu o mundo, os museus. Conheceu muita gente importante, adquiriu experiência e sabedoria, deu aulas, colecionou títulos que a levaram a ser conhecida como: _ “REVOLUCIONÁRIA” _ alguém a frente do seu tempo, capaz de mexer com integrantes da classe social mais conservadora, pois suas obras retratavam principalmente os personagens marginalizados dos centros urbanos. Além de que suas pinturas fugiam dos padrões até então aceitos.
A Mulher de Cabelos Verdes – 1915 -
Em 1914 realiza sua primeira exposição individual, em São Paulo, mas foi em 1917, onde tudo eclodiu de fato, causando espanto, risos e críticas.
Com a primeira exposição de arte moderna – no qual o escritor Mário de Andrade riu muito ao se deparar com os quadros: _ O Homem Amarelo – A Mulher de Cabelos Verdes – A Boba…mas no entanto mais tarde, seus risos transformaram-se em admiração, amizade, e uma intensa troca de correspondências( dizem alguns relatos, que viveram um amor platônico) Tanto que anos depois o escritor acabaria adquirindo a tela – O Homem Amarelo- tornando seu grande defensor, numa das críticas recebidas pelo escritor de literatura brasileira – Monteiro Lobato – que publicou artigo dizendo: _ Paranóia ou mistificação? Argumentava que a nova pintura de Anita Malfatti, não representava o brasileiro e sua natureza com fidelidade. Chegando a ponto de insultar a pintora, tachando-a de “louca”.
O Homem Amarelo – 1915 –(Em 02/12/89-foi emitido um selo comemorativo sobre o centenário do nascimento de Anita)
A crítica de Lobato repercutiu entre os modernistas e pouco depois, Oswald de Andrade e Menotti Dell Picchia saíram na defesa de Anita.
Da querela que se seguiu surgiu a divisão entre conservadores e modernos, que iria desaguar na Semana da Arte Moderna – em 1922, onde Anita expos seus trabalhos sendo premiada e consagrada. Pois até então só a literatura reinava absoluta nas artes , tendo que ceder lugar para as atividades plásticas.
Anita fez parte do “Grupo dos Cinco” com: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Menotti Dell Picchia, e Tarsila do Amaral.
Eu poderia me deter em datas, lugares, detalhes, mas prefiro falar de sentido e sentimentos, onde o artista é capaz de agir e reagir ao tempo, aos fatos, as pessoas.
Anita trabalhou uma coisa que muita gente esquece, –” o sentimento”, pois sabemos que existe a pintura fria e inexpressiva, aquela que não nos dá vontade de entrar e participar da cena, e simplesmente apenas somos meros observados. Digo, que as pinturas de Anita são trajadas de fortes sentimentos, onde os personagens são banhados de cores fortes, muitas vezes levemente distorcidos. Nosso olhar se funde, desperta e indaga o que é imaginário, o que é real?
Muitos achavam suas pinturas cruas, mas como, se o tempo todo Anita expressava uma gama de aprendizado com muita liberdade e singularidade?
Fecho esta postagem com um pensamento de Mário de Andrade sobre Anita Malfatti:
_ “Seus quadros, nos deram uma primeira consciência de revolta e de coletividade em luta pela modernização das ARTES BRASILEIRAS”